Linhas de reflexão

Nos últimos anos, e em diferentes locais do mundo, tendo em conta o protagonismo crescente que tem vindo a ser assumido pelos media em contexto social, assistimos ao desenvolvimento de um movimento que progressivamente tem vindo a ganhar voz(es) e solidez ao pretender dar resposta à problemática das complexas relações de crianças e jovens com os media, bem como à necessidade de se projetar uma educação para o conhecimento de novas linguagens.
Tal movimento tem investigado e refletido sobre o(s) modo(s) como a educação em geral, e o ensino em particular, podem responder ao papel central desempenhado pelos media na vida dos mais jovens.
O Parecer do Conselho Nacional da Educação (CNE), na Recomendação sobre Educação para a Literacia Mediática, n.º 6/2011, chama a atenção da urgência em tomarem-se medidas com vista a inscrever a literacia para os media nas prioridades da agenda pública. Preocupação repartida com outras Instituições, nomeadamente com a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, o Gabinete de Meios de Comunicação Social, o Ministério da Educação, a Agência para a Sociedade do Conhecimento e o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, ou a Rede de Bibliotecas Escolares. Este apelo relaciona-se com o papel que têm, ou devem ter, os media e o ecossistema comunicativo na moderna formação dos cidadãos e numa cidadania mais esclarecida e participativa.
O Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece que “Todo o ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de opinar livremente e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras”. Tal direito é reforçado por outras Declarações como a de Grünwald, de 1982 (que reconhece a necessidade dos sistemas políticos e educativos promoverem a compreensão crítica, pelos cidadãos, dos “fenómenos da comunicação” e a sua participação nos media), ou a de Alexandria, de 2005, que coloca a Literacia dos media e da informação no centro da educação, reconhecendo que os media e outros provedores de informação, como bibliotecas, arquivos e internet, são amplamente reconhecidos como ferramentas essenciais para auxiliar os cidadãos a tomarem decisões bem informadas. São também os meios pelos quais as sociedades aprendem sobre elas mesmas, mantêm discursos públicos e constroem um sentido de comunidade. Os canais de media e demais TICs podem ter um grande impacto sobre a educação continuada, e, por isso, os cidadãos precisam de um conhecimento básico sobre as funções dos media e de outros provedores de informação (…) O propósito da literacia mediática e da informação é transmitir esse conhecimento aos utilizadores.

Neste contexto - e como indica Area (1995: 5) -, ninguém duvida da  “poderosa influência sobre os cidadãos e seu importante potencial pedagógico” e, portanto, da necessidade de integrá-los nos processos de ensino.
Assim pretende-se com este Encontro desenvolver a compreensão de como os media e a informação podem aprimorar a capacidade de professores, alunos e cidadãos de se engajarem aos media e usarem bibliotecas, arquivos e outros provedores de informação como ferramentas para a liberdade de expressão, o pluralismo e o diálogo, contribuindo, deste forma, para o debate democrático, a boa governança e um ensino capaz de responder aos complexos desafios que enfrentamos.