Linhas de reflexão

Pensar as bibliotecas e a cooperação remete-nos, de imediato, para os fundamentos do Programa RBE, assentes na colaboração entre as bibliotecas escolares e as bibliotecas públicas e traduzidos ao longo do tempo na criação dos SABE; no apoio à instalação das bibliotecas escolares; na rentabilização dos recursos; na agilização do trabalho técnico de gestão das coleções; no potenciar de atividades escolares e lúdicas e do acesso à leitura e à informação.

Passados que são 20 anos sobre a criação do Programa RBE, em plena revolução digital, novas práticas e conceções de cooperação se impõem, na medida em que são também diferentes e muito mais exigentes e complexos os desafios e as responsabilidades que atualmente pendem sobre as bibliotecas.

Com a expansão das tecnologias, redes e ambientes digitais de acesso à informação, leitura, produção e comunicação e a rápida evolução dos equipamentos no sentido da portabilidade, da personalização e da conexão permanente, o valor primordial das bibliotecas deixou de residir nas coleções e passou a assentar nos produtos, serviços e atividades que estas desenvolvem com e para os utilizadores, de modo físico e virtual.

As tecnologias tornaram-se nos nossos dias uma pedra angular do que as bibliotecas são e fazem, aproximando-as e diluindo as fronteiras entre si. Para responder a estas mudanças, as bibliotecas têm de proporcionar novos espaços e usos, compagináveis com a vida e as exigências do mundo que as rodeia, muito diferente daquele em que as bibliotecas foram forjadas.

A resposta a estas necessidades reside, em grande medida, na cooperação entre as bibliotecas, os vários sistemas bibliotecários e outras organizações: museus, arquivos, universidades, fundações e novos parceiros estratégicos (operadoras de telecomunicações, editores, livreiros, empresas tecnológicas, autores de conteúdos, etc.).

O digital faz com que a informação e os serviços no mundo online convirjam e as fronteiras entre si se esbatam. Os sistemas podem ser diferentes na sua identidade, utilizadores, dimensões, estruturas,… mas partilham necessidades, valores e desafios comuns, e isso é quanto basta.

A cooperação poderá permitir a todos fortalecerem sua posição pública, melhorarem os seus serviços e atenderem com mais eficácia às necessidades dos utilizadores, quaisquer que eles sejam, explorando economias de escala e alcançando em conjunto o que não conseguem obter isoladamente, quer no que diz respeito, por exemplo, à atualização de sistemas de gestão bibliográfica, quer à criação de bibliotecas digitais ou à disponibilização de plataformas comuns de empréstimo, perseguindo, deste modo, as mudanças e as experiências internacionais mais avançadas.

O campo da educação não se esgota no ensino e na pedagogia, abrangendo uma diversidade de práticas e modos de intervenção educativos e culturais que, não deixando de reconhecer o lugar central da escola, vão além do universo estritamente escolar e são hoje uma condição para enfrentar os desafios que o mundo contemporâneo nos coloca.

As exigências atuais para se ser bem-sucedido na vida pessoal, académica e profissional são muito mais complexas e amplas do que no passado, e as bibliotecas têm de responder-lhes, reconfigurando-se como espaços abertos de inclusão e de construção multidimensional dos sujeitos e do saber, através de novas lógicas e modos de formação e da mobilização de outras entidades, chamadas a partilharem responsabilidades com as escolas na tarefa de educar e, com elas, promoverem o conhecimento, a cultura e o sucesso educativo para todos.

O desenvolvimento da educação e das bibliotecas depende hoje de um conjunto de ações interdependentes que só a cooperação poderá assegurar. Para esta cooperação ser bem-sucedida e sustentável tem de haver comunhão de interesses e reconhecimento mútuo em termos políticos e estratégicos sobre o seu valor, quer a nível central, quer a nível local.

É esta reflexão que pretendemos fazer com as bibliotecas e outros parceiros, neste V Encontro das Bibliotecas Escolares do Alentejo.